2026 – O Ano do Recomeço

2026 é um ano especial. Para quem gosta de números, a soma dos seus algarismos resulta no 1.

Na numerologia, o número 1 representa o início, a criação e a individualidade — ou seja, o começo ou o recomeço. Neste mesmo ano, eu completei 50 anos, uma idade que resulta no 5. O cinco é o símbolo da liberdade, da aventura e da versatilidade. Ele representa a necessidade de mudança, a curiosidade e o desejo de explorar novos horizontes, fugindo de rotinas e amarras.

Que interessante: no ano com força de começo, eu sinto justamente essa necessidade de mudar e de explorar novos horizontes. Não é à toa que dizem que passamos pela “crise da meia-idade”, aquele momento em que paramos para refletir sobre as nossas vidas. Avaliamos o que conquistamos, o que plantamos, o que colhemos, a nossa família e os nossos amigos. É uma verdadeira retrospectiva da vida — parece até especial de fim de ano da Globo 😀 —, e, de fato, é a mais pura verdade.

Na vida profissional, surgem os questionamentos: será que escolhemos a profissão certa? Será que estamos dando o nosso melhor e atingindo de forma positiva a vida das pessoas? E o tal do propósito? Nunca se ouviu falar tanto disso, mas o que é, afinal, o propósito?

A palavra deriva do latim proponere, que significa “colocar à frente”. É a intenção, o motivo ou a razão de ser de algo ou de alguém. O propósito atua como o seu “norte” ou objetivo principal, representando a energia que impulsiona suas ações, decisões e desejos, dando um sentido claro para a sua jornada. Como bem diz Mário Sérgio Cortella:

É aquilo que faz com que eu faça o que eu faço não porque mandaram, mas porque aquilo é o meu desejo de que eu faça.

Em maio, tive o privilégio de participar do projeto de mentoria de carreiras para os alunos da FECAP/SP. Um dos medos do meu mentorado era justamente sobre arriscar e mudar de rumo na carreira — sair do RH e ir para Finanças, mais especificamente para a área de investimentos. Uma de suas dúvidas foi: “Você já sabia o que queria da vida lá no começo? Desenhou tudo até chegar aqui?”. A resposta foi um sonoro: não! E, para conectar o medo dele com essa dúvida, eu lhe contei uma história.

Em 2002, eu entrei para o mundo da perícia sem ter a menor ideia do que se tratava. Mas tive uma mentora, professora e inspiradora que topou me ajudar e me ensinar. Aprendi muita coisa. Contudo, eu tinha uma vontade interior forte de trabalhar em grandes empresas, ter um crachá e um “sobrenome corporativo”; eu não tirava isso da cabeça.

Até que, em 2005, decidi sair da perícia. Estudei inglês no exterior e me candidatei para vagas em grandes corporações. Consegui passar no processo seletivo da Microsoft. Era um sonho realizado: três ou quatro andares de pessoas envolvidas no dia a dia de uma das maiores empresas do mundo.

O tempo foi passando e fui vendo como as coisas funcionavam, como as pessoas “viviam” ou “sobreviviam”. Aquele sonho tornado realidade me mostrou que, talvez, o mundo corporativo não era bem o que eu queria para a minha vida. Eu tinha a intenção de ter filhos e nunca mais esqueci a fala da minha gerente na época. Ela me disse que “somente via o filho dela deitado”, porque saía de casa muito cedo, quando ele ainda dormia, e quando voltava, ele já tinha ido dormir. Chocante, não?

Além disso, tudo o que eu fazia lá era, de certo modo, repetitivo. Foi aí que comecei a comparar aquela realidade com a perícia: uma atividade sem rotina onde, absolutamente todo dia, temos uma novidade, um caso novo, um prazo novo, um problema novo e desafios diferentes que fazem o olho brilhar. Nesse momento, entendi que precisava voltar para a perícia — e já se vão mais de 20 anos atuando na área.

E o que isso tem a ver com o mentorado? Tudo. Ele pode enfrentar o medo da mudança. Mude, faça a transição de carreira e, se não der certo, mude de novo; com certeza valerá a pena. Ele pode não ter o caminho desenhado bonitinho desde o princípio, mas o segredo é sentir a caminhada, aproveitar, entender e ver o que faz o olho brilhar!

E os próximos 50 anos? Eu não sei. Só tenho a certeza de que vou continuar aproveitando o caminho: literalmente caminhando devagar, vendo as árvores, ouvindo os pássaros, comendo sem pressa, tomando aquele cafezinho sem pretensão e estando perto das pessoas que eu amo!

E você, está curtindo o seu caminho?

Alessandra Ribas Secco00

Sobre Alessandra Ribas Secco

Sócia fundadora da Ribas Secco Escritório de Perícias
Contadora, Administradora de Empresas, com mais de 15 anos de experiência profissional na área da Perícia Contábil e Financeira, atuando como Perita e Assistente Técnica no âmbito arbitral e judicial. Mestra em Ciências Contábeis e docente do curso de Pós-Graduação em Perícia Contábil na Fecap/SP.

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